O que são os clubes de trocas?

Os clubes de trocas reúnem moradores de uma comunidade para o intercâmbio de produtos, serviços ou saberes entre si. Cada grupo estabelece sua metodologia e os períodos de reuniões, que podem ser semanais, quinzenais ou mensais.

O mercado de trocas conta com a figura dos “prossumidores”, participantes que são ao mesmo tempo produtores e consumidores. As feiras promovem a cooperação porque são uma alternativa ao desemprego e criam benefícios para todos os integrantes. O sistema favorece ainda a cultura de consumo consciente e fortalece as relações comunitárias.

Os participantes já realizaram um encontro nacional de grupos de trocas solidárias, em 2004. O evento, que aconteceu em Mendes, no interior do Rio de Janeiro, reuniu representantes de clubes dos estados da Região Sul e Sudeste, além de Goiás, Bahia, Pará, Distrito Federal e também do México e Argentina.

Com os clubes surgem moedas sociais em cada comunidade, que se tornam a referência monetária para as trocas. As moedas são uma alternativa quando não ocorrem trocas diretas de produtos ou serviços.

Algumas moedas ganham lastro, extrapolam os clubes de troca, que se caracterizam por ser um grupo fechado com reuniões periódicas, e dão origem aos bancos comunitários, abertos ao público e de funcionamento permanente.

A Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), do Ministério do Trabalho e Emprego, já listou 63 experiências do gênero no País. Um dos últimos bancos a ser inaugurado foi o da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. No início de 2012, mais dois bancos estão sendo abertos na Amazônia.

“O Banco Central reconhece as moedas sociais, devido à inclusão financeira que proporcionam para o desenvolvimento local”, explica Antônio Haroldo Pinheiro Mendonça, coordenador-geral de Comércio Justo e Solidário do Departamento deFomento à Economia Solidária da Senaes.

As moedas complementares de circulação local têm lastro na moeda nacional, ou seja, para cada moeda emitida existe no banco comunitário um correspondente em real. As cédulas são confeccionadas com componentes de segurança como papel moeda, marca d’água, código de barra e números de série para evitar que ocorram falsificações.

A articulação dos bancos é feita pela Rede Brasileira de Bancos Comunitários. Os integrantes passam por um processo de formação para receber o selo de certificação da entidade. Os bancos comunitários prestam contas de suas atividades no encontro nacional da rede, que ocorre anualmente.

Os bancos fazem a troca entre as moedas. Por exemplo, o dono de um açougue recebe o pagamento na moeda social e vai a um banco comunitário trocar o valor por reais. Santana, Castanha, Sabiá, Tupi e Palmas são os nomes de algumas das moedas sociais existentes hoje no Brasil.

Fontes:
Ministério do Trabalho
Fórum Brasileiro de Economia Solidária
Banco Palmas

Extraído de:

http://www.brasil.gov.br/sobre/cidadania/economia-solidaria/clubes-de-troca

O que é uma rede de troca?


Uma rede de troca é uma união voluntária de cidadãs e cidadãos que estabelecem um intercâmbio de favores usando uma moeda local ou social. Esta moeda permite a troca indireta, estável, organizada e permanente, entre pessoas que não necessariamente se conhecem. Assim pode ser criado um sistema econômico local, que complementa a economia oficial, gerando um intercâmbio de produtos e serviços que não costumam ser encontrados no mercado formal, ou os quais nem todos tem acesso.

Porque precisamos de uma nova moeda? Não é possível fazer trocas sem nenhum registro?


Naturalmente que sim. Uma rede de troca pretende aumentar o número de trocas espontâneas e sem registro entre os usuários, assim como presentes, favores e todo tipo de intercâmbio solidário. A moeda serve somente para estruturar e dar maior força a troca permitindo que esta possa ser indireta, ou seja: Por coisas de valores diferentes. Em momentos diferentes, e não necessariamente entre as mesmas pessoas, permitindo triangulações que não poderiam acontecer sem a existência de uma moeda local.

A lei permite este tipo de intercâmbio?


Sim, porque se trata de uma rede de favores em que não costumam fazer parte serviços formais registrados legal e economicamente pelo estado e pela economia oficial. Quando a rede cresce e nela entram produtos e serviços que tem relevância econômica (como quando empresas oferecem parte de suas vendas através da moeda local, ou quando um profissional oferece seus serviços dentro da rede, é possível, segundo a legislação local vigente, que seja necessário regularizar a rede de forma legal.

De quem foi a idéia de criar as redes de troca?


Trata-se de uma nova invenção que nasceu no Canadá em 1982 a partir das muitas experiências anteriores de trocas. Desde então a idéia se expandiu em todo o planeta, muitas vezes sem saber que já existiam em outras partes, como ocorreu na Argentina.
Argentina é o pais com mais redes de troca no mundo, com cerca de três milhões de prosumidores: usuários, que são ao mesmo tempo produtores e consumidores.
Também as empresas e o estado estão começando a participar nas redes: algumas administrações locais permitem o pagamento de impostos atrasados com serviços ou moeda local, e oferecem moeda local aos que precisam de assistência do estado: comida, serviços sanitários, atenção especial para idosos, ou incapacitados, para que eles resolvam por si mesmos nas redes essas necessidades.
O potencial das redes é infinito, e na medida em que se resolvem as necessidades locais depende unicamente da capacidade de organização e da imaginação de cada comunidade.
Na Austrália constróem até casas com moeda social. Na rede de troca podem ser trocados todo tipo de produtos e serviços, desde acessórias contábeis até aulas de yoga ou francês, introduzindo novas possibilidades que não existem no mercado formal, tais como fazer compras para outra pessoa, cuidar de um gato ou uma planta, lavar os pratos de uma festa, pintar um muro, plantar uma árvore, fazer tortas e salgados. A moeda social e muito diferente do dinheiro: a escassez se transforma em abundância, a competência em cooperação.
Não existem créditos nem interesses, e todos tem o mesmo acesso a moeda.
Muitas tarefas e habilidades são postas em prática, permitindo às pessoas conhecer e desenvolver habilidades e serviços, que mais tarde podem ser usados no mercado formal.
As pessoas realizam-se fazendo trabalhos que gostam de fazer: poesias, quadros, artesanatos… permitindo melhoras também em nível psicológico de cada usuário, que se sente útil, auto-realizado e estimulado com as novas coisas que pode oferecer, e com as que podem receber em troca boa parte de seu sustento.
Podem emprestar ferramentas, eletrodomésticos, uso de computador, acesso a Internet, uma fotocopiadora, um cortador de grama, etc.

A imaginação é o limite!
Existem duas formas de realizar o intercâmbio:
Nas Feiras de Troca semanais, ou usando o Boletim de Serviços:

O que é o Boletim de Serviços?


É um pequeno livro onde você encontrara todos os serviços oferecidos dentro da Rede bem como os nomes, telefones e endereços dos usuários.
Quando encontrar uma serviço de seu interesse, você entra em contato com a pessoa que esta oferecendo o serviço, combina os termos da troca: quantidade de moedas, qualidade do serviço dia e local, e realiza a troca.

Como se inscreve um novo usuário?


Quando alguém quiser unir-se á rede, vai á um dia de feira, procura alguém da Coordenação, que explicara tudo que você precisa saber, lhe dará um Guia do Usuários e uma Ficha de Inscrição para que possa colocar seus dados e os serviços e produtos que gostaria de oferecer a rede, assim como as demandas estáveis que queira da rede. Estas ofertas e demandas serão introduzidas na edição seguinte do Boletim, editado mensalmente. Após participar de três feiras, o usuário, que já se familiarizou com a dinâmica da rede, recebe moedas, com a condição, de que devolvam a mesma quantidade no caso de deixar a rede.  O novo usuário pode, sem dúvida, fazer troca antes de receber a moeda social durante as três primeiras semanas, oferecendo produtos e serviços a Rede, com os quais poderá receber Luas. A moeda social não deve ser acumulada, já que isto dificulta o fluxo natural de produtos e serviços na Rede, e de nada serve a quem faz poupança. A abundância econômica das redes torna desnecessário o acúmulo. Nesta nova lógica econômica, não e a moeda que tem o valor e sim a atividade econômica gerada, que pode ser registrada com ela para facilitar o intercâmbio.

E quem dirige a Rede?


Ninguém e todos ao mesmo tempo. A lógica econômica horizontal das redes e contagiada ao nível político, fazendo delas unidades de decisão altamente democráticas, onde as propostas de todos são analisadas por igual, de forma horizontal e consensuada. Sem dúvida, existe um grupo que coordena a Rede que se chama Coordenação. É formada por cinco a dez usuários que exercem a coordenação por períodos de três ou seis meses. Os cargos de coordenação são rotativos entre os usuários da Rede que queiram participar dela.
As tarefas da Coordenação são fáceis de fazer, exigem pouco tempo e justamente só um pouco de coordenação.
Para garantir o sucesso e continuidade da Rede, é necessário que as tarefas sejam sempre registradas para as coordenações seguintes, e que mais e mais usuários participem nelas, assegurando que a Rede seja sustentada por uma maior número de pessoas, evitando a dependência excessivas sobre poucas pessoas. As Feiras acabam tornando-se muito mais do que um lugar onde fazer trocas sem dinheiro: é uma festa onde a gente se conhece, criam-se novos projetos, cresce a auto-estima do bairro, seus recursos e sua qualidade de vida.

Extraído de:

http://www.casadacidadania.org.br/article.php3?id_article=39

 

Clubes de troca são experiências de economia solidária, espaços onde as pessoas se juntam para realizar trocas de produtos, serviços e saberes entre si, de forma solidária, utilizando ou não a moeda social.

O CEFURIA acompanha a Rede Pinhão de Clubes de Troca, composta por vários grupos de Curitiba e Região Metropolitana que se reúnem para trocar, produzir e se organizar em torno do trabalho e direitos sociais, articulando-se com os diversos movimentos sociais. “Pinhão” é o nome da moeda social utilizada.

É uma forma de se vivenciar a economia solidária. Um espaço onde as pessoas se reúnem para trocar produtos, serviços, saberes e valores entre si, utilizando moeda social. Para facilitar as trocas é utilizada uma moeda social, que não pode ser vendida e nem acumulada.

Em Curitiba, o primeiro Clube de Trocas foi criado em 2001, no bairro Sítio Cercado. Hoje o Clube de Trocas Pinhão existe em vários locais da cidade e se espalha para outros municípios do Paraná.

Acesse o livro “Clubes de Troca: Rompendo o silêncio, construindo outra história”, organizado por Gisele Carneiro e Antônio Bez, educadores do Cefuria, que trás a sistematização da experiência de educação popular desenvolvida desde 2001 com os Clubes de Troca.

Clique aqui para baixar o folder da Rede Pinhão de Clubes de Troca.

 

Extraído de:

http://www.cefuria.org.br/clubes-de-troca/

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4 pensamentos sobre “O que são os clubes de trocas?

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